Este é o meu ultimo artigo acerca deste assunto por agora, em ultimo lugar quero lidar com casuística e fazer uma exortação aos crentes que lerem este artigo.
Será o aborto justificável em situações excepcionais? Resposta: Depende das situações.

Casuística

Gestações resultantes de violação ou incesto. Se uma criança foi concebida através de violação ou incesto, devemos primeiramente reconhecer a dor genuína e as dificuldades experimentadas pela mãe, que está involuntariamente grávida, normalmente numa idade muito jovem.

Os cristãos que conhecem tais situações devem estar prontos a dar encorajamento. Não podemos esquecer que a mãe nestas situações é ela própria, vitima de um crime hediondo.

Mas em relação à questão de abortar a criança a questão deve ser colocada: Será correcto matar um bebé concebido através de violação ou incesto após o seu nascimento? A maioria das pessoas diria certamente que não. Uma criança não perde o seu direito de viver devido às circunstâncias da sua concepção.

Muita discussão sobre o aborto centra-se nestas circunstâncias mais difíceis: aborto em casos de violação, incesto, ou para salvar a vida da mãe. Alguns têm argumentado que embora o aborto deva ser evitado, justifica-se nestas situações, e mesmo noutros casos, tais como: para lidar com a saúde física ou psicológica da mãe, uma possível ou real deficiência ou malformação do feto, controlo populacional, ou necessidade económica.

Certamente que as pessoas procuram frequentemente o aborto no meio de grandes dificuldades, e os cristãos devem compadecer-se com as mulheres que pensam não ter outra alternativa. Mas não podemos comprometer o princípio bíblico de que os não nascidos devem ser tratados da mesma forma que os recém-nascidos. Seria certamente errado matar um bebé recém nascido ou uma criança por ser deficiente, ou como meio de controlo populacional. Portanto, matar uma criança por nascer por estas razões também é errado.

O mesmo, creio, é válido para as questões mais graves de violação e incesto. Devemos solidarizar-nos com as mulheres que não querem ter filhos que as recordem de experiências tão trágicas. Tais mulheres precisam de grande amor e aconselhamento. Mas, em última análise, não devemos matar alguém porque essa pessoa nasce duma violação ou incesto. Não devemos matar uma criança pelos pecados do seu pai. O pai é culpado; a criança é inocente.
Em tais situações, pode ser que seja necessário entregar a criança para adopção, embora acredite que é melhor que tal criança possa ser criada pela sua própria mãe. Para a mãe, empreender tal tarefa, ou mesmo entregar a criança a pais adoptivos, é heroísmo moral, um grande amor . Mas matar a criança é escolher a morte, não a vida.

Eu abriria uma excepção à minha posição pró-vida. É o caso em que a continuação da existência da criança ameaça a vida física da mãe. Esta situação acontece raramente, mas acontece. Numa gravidez ectópica, por exemplo, em que o óvulo fertilizado se implanta nas trompas de Falópio e não no útero, a criança não pode viver em caso algum. O médico deve remover a criança (destruindo-a) para preservar a vida da mulher.

Considero este procedimento eticamente aceitável, porque não há possibilidade de salvar a vida da criança e esta, nessa altura, pode ser considerada uma agressora (embora sem intencionalidade), ameaçando a vida da sua mãe. Assim, o procedimento é a autodefesa da mãe.


A NOSSA OBRIGAÇÃO DE DEFENDER OS FRACOS E INDEFESOS

Mais um grupo de passagens bíblicas deveria fazer-nos sentir a prioridade do aborto entre as questões éticas que o cristão hoje enfrenta. O nosso Deus preocupa-se com os pobres e necessitados:

Porque ele livrará ao necessitado quando clamar, como, também, ao aflito e ao que não tem quem o ajude.
Compadecer-se-á do pobre e do aflito, e salvará as almas dos necessitados.
Libertará as suas almas do engano e da violência, e precioso será o seu sangue aos olhos dele.
(Sl. 72:12-14)

Portanto, Deus quer que o seu povo faça o mesmo. Muitas passagens convidam-nos a ajudar aqueles que são demasiado fracos para se ajudarem a si próprios:

Defendei o pobre e o órfão: fazei justiça ao aflito e necessitado.
Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios.
(Sl 82:3-4; cf. Lev 19:16; Sl 41:1; Pv 24:11; Is 1:17; 58:5-7, 9-10; Amós 4:1)

O Novo Testamento também enfatiza o cuidado dos pobres e necessitados (ver Lucas 10,30-37; Actos 4,34-37; 2 Cor. 8,1-15; 9,1-15; Gal. 2,10).

É possível que os não nascidos sejam as pessoas mais fracas, mais pobres e mais indefesas que existem. Não têm força política ou económica, nem sequer vozes para defender a sua própria causa. Hoje em dia, estão sob ataque vicioso das forças dominantes da sociedade: os estabelecimentos de ensino, os meios de comunicação, e os governos, incluindo os tribunais, que deveriam exigir justiça.

E a parte mais terrível disto é que estas crianças estão a ser atacadas pelas suas próprias mães. O plano de Deus é que os pais de uma criança devem ser os seus defensores. A nossa tradição considera o amor de uma mãe pelo seu filho como algo muito profundo, mesmo feroz na sua defesa da vida da criança. A mãe é a última linha de defesa da criança. Se a mãe abandona o seu filho, quem irá ajudar? Quem, de facto? O Salmo 27:10 dá a resposta: “Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me recolherá.”. Isaías fala horrorizado sobre a possibilidade de uma mãe poder esquecer o seu filho. Mas, através de Isaías, Deus diz: “mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti” (49:15). Deus é o ajudador dos pobres, o marido da viúva, o pai dos sem pai. Ele preocupa-se com aqueles para quem o mundo não tem cuidado. E ele chama o seu povo para ser seu agente: “Aprendei a fazer bem; praticai o que é recto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.” (Isa. 1:17). Os nascituros representam a humanidade na sua forma mais indefesa sob ataque sem dó nem piedade. Têm, portanto, uma reivindicação única sobre a misericórdia do povo de Deus.

A maturidade cristã é posta à prova pela sua vontade de ir contra as probabilidades, de ir contra a moda intelectual e prática do dia, em serviço do nosso Rei. É fácil ser cristão quando isso requer pouca ou nenhuma oposição. Mas o amor por Jesus, esse amor que é motivado pelo seu grande sacrifício, requer muito mais de nós.

De facto ser Cristão é estar em oposição com o mundo que jaz no maligno.

Ele convida-nos a renunciar ao que a Escritura chama a “sabedoria do mundo”, as ideias e práticas da moda da nossa sociedade, e a contá-las como lixo pela causa de Cristo. Na Escritura estar do lado de Deus é estar em oposição ao mundo (não podemos servir a dois senhores) como Noé, que construiu a sua arca embora pelo mundo fora ridicularizado; como Abraão, que pôs de lado a evidência dos seus sentidos e o riso da sua própria esposa para acreditar que Deus providenciaria milagrosamente um filho; como Moisés, que se levantou contra o Faraó e lhe trouxe a palavra de Deus; como Daniel, que enfrentou leões em vez de adorar um rei terreno; como Pedro e João, que disseram aos oficiais que “devemos obedecer a Deus e não aos homens” (Actos 5:29).

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